Associações em Humanidades Digitais: alguns exemplos

Quais são, onde estão, e como funcionam as “Associações em Humanidades Digitais” no mundo?

Essas perguntas movem uma pesquisa que estamos realizando, no âmbito da AHDig, como uma das primeiras medidas no sentido de dar forma e corpo à nossa recém-criada rede de pesquisas.

Aqui mostramos alguns resultados preliminares da nossa investigação – ressaltando, antes de tudo, que essas são  perguntas difíceis de serem respondidas, pois os agrupamentos formados em torno desse campo parecem tomar formas tão variadas quantas são as concepções em torno do próprio campo.

De um modo geral, vemos que as diversas Associações procuram aglutinar, definir e de alguma maneira “chancelar” as iniciativas em Humanidades Digitais, e podem tanto tomar a forma de sociedades científicas tradicionais como funcionar como redes virtuais sem existência jurídica ou formal.

Um grande impulso no sentido de um agrupamento global das associações em humanidades digitais foi a criação da ADHO, Alliance of Digital Humanities Organizations (ADHO), http://ahdo.org, organização que congrega as diversas iniciativas em Humanidades Digitais desde 2002. A ADHO lista as seguintes Associações como membros constitutivos:

A ADHO tem como linhas principais apoiar e guiar a formulação de projetos, abrigar periódicos e outras publicações e promover conferências e encontros científicos. A Aliança tem origem, de fato, já na primeira conferência chamada “Digital Humanities”, realizada em 1989, como uma ação conjunta da ACH e da ALLC. Desde 1990, a conferência tem sido realizada anualmente.

http://www.globaloutlookdh.orgAlém disso, a Aliança inclui alguns projetos e grupos de interesse especial, como o  Global Outlook::Digital Humanities (GO::DH), http://www.globaloutlookdh.org/, que se define como uma comunidade de interesses com o propósito de discutir e promover estratégias para derrubar as barreiras que dificultam a comunicação e a colaboração entre pesquisadores das humanidades digitais ao redor do mundo, em particular considerando as diferenças que separam projetos em países com economias mais e menos desenvolvidas.

A ADHO e suas associações constituintes – ACH, ALLC, CSDH/SCHN, aaDH, JADH, e mesmo o centerNet, funcionam como sociedades científicas em moldes tradicionais no que remete às formas de associação – ou seja, os membros de cada um desses grupos são sócios da iniciativa, pagando uma taxa anual que se converte em benefícios como descontos em conferências e assinaturas de periódicos, entre outros. Os membros da ALLC e da ACH, por exemplo, são os assinantes do periódico Literary and Linguistic Computing (LLC), http://llc.oxfordjournals.org. Outras iniciativas – como o próprio GO::DH, que é parte da AHDO – funcionam como redes virtuais, sem uma política efetiva de sociedade; no caso do GO::DH, por exemplo, a particpação é efetivada pela assinatura de uma lista de discussão por emails.

A AHDO e suas constituintes são um bom exemplo de associações bem estabelecidas, algumas delas com mais de vinte anos de funcionamento – e que se definem por recortes regionais: há a associação europeia, a canadense, a asiática, etc. Não há, como se vê, uma associação regional definida na América do Sul.

Screenshot 2013-11-12 06.39.54Recentemente, entretanto, tem surgido associações regionais no nosso continente – é o caso da Asociación Argentina de las Humanidades Digitaleshttp://aahd.com.ar/, que está em processo de formação neste ano de 2013. Pela proximidade geográfica, cultural e mesmo “temporal” que une as duas iniciativas (já que os processos de formação estão se dando em períodos paralelos), a AHDig acompanha com grande interesse a formação da AAHD.

A AHDig  tem como particularidade não ser exatamente uma associação “regional”, visto que o recorte que escolhemos é o da língua, e não o do território – como explicamos na nossa Declaração de Fundação. Assim, entre nossos participantes há pesquisadores de Portugal e do Brasil, além de pesquisadores de outros países que se interessam pela pesquisa em língua portuguesa – esperamos, de fato, que essa diversidade “territorial” venha a se expandir ainda mais. Essa característica do recorte linguístico-cultural, mais que regional, certamente traz alguns desafios particulares.

Screenshot 2013-11-12 06.42.05Nesse aspecto, podemos listar como iniciativa análoga a Associação Humanidades Digitales Hispánicas,  http://www.humanidadesdigitales.org, entidade internacional que procura congregar as iniciativas no campo das HD partindo do recorte da língua espanhola.

Screenshot 2013-11-12 06.43.29Uma segunda iniciativa de reunião a partir do recorte da língua e da cultura hispânicas é a RedHDhttp://humanidadesdigitales.net, que se define como uma rede de comunicação com os objetivos de “promover e fortalecer a investigação humanística e a computação, com especial ênfase na pesquisa e educação em países de fala hispânica”.

Entre os desafios das associações internacionais, quando formadas em moldes tradicionais de sociedades científicas, está a questão da “sede”; na AHDig, teremos que discutir, quando da formulação de nosso estatuto, onde localizar nossa sede jurídica, entre outros detalhes burocráticos; onde e como nos reuniremos, etc. A HDH, por exemplo, segue um modelo interessante de sociedades internacionais: sua sede é rotativa, sendo definida, em períodos determinados, como o local onde se realizam seus principais congressos e seminários ou como o local de residência do atual secretário (cf. Artículo 4 do estatuto da HDH).

Entretanto, e como dissemos mais acima, há agrupamentos em torno das Humanidades Digitais que não chegam a constituir-se como “sociedades” formalmente reguladas – é o caso emblemático (por exemplo) do portal Digital Humanities Nowhttp://digitalhumanitiesnow.org/. Em um próximo post, abordaremos essa forma de rede em particular.

Na AHDig, estamos em momento de estudar as diferentes formas de reunião no campo das Humanidades Digitais, e de refletir sobre as diretrizes que melhor se adequariam aos nossos objetivos particulares.

Enquanto realizamos esse estudo, vamos já formando uma rede de colaboração e comunicação, que – como se pode ver pelo andamento da nossa página Participantes – cresce a cada dia. Acreditamos que, pensando em conjunto, chegaremos a um bom modelo!

6 comentários sobre “Associações em Humanidades Digitais: alguns exemplos

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